Não contavam com o meu Ubuntu!

Digamos que você é um empregador não doméstico. Por causa disto, você tem que fazer mensalmente o depósito do FGTS dos seus empregados. Se mandar algum deles embora, sem justa causa, tem que pagar 50% do saldo rescisório…  e para fazer tudo isto, tem que usar programas feitos pela Caixa Econômica Federal.

Ah, Caixa, como eu “amo” os programas da Caixa…

Primeiro, eles só são feitos para rodar em Windows. No mínimo isto demonstra completo desrespeito às iniciativas do Governo Federal de se adotar software livre no país. No máximo, demonstra um mega protecionismo a um dos fabricantes de Sistemas Operacionais… até porque o uso do programa não é opcional, é OBRIGATÓRIO. Você apenas faz a declaração do FGTS/INSS usando a dupla GFIP / Conectividade Social. E isto vale para qualquer birosca, em qualquer lugar do país (como fazem em lugares que não há internet???).

Pois bem, digamos agora que você tem o Windows. Não uma daquelas versões antigas, mas a mais nova: Windows 7 64 bits. Vai funcionar né?

Bem, o programa propriamente dito funciona, mas … (certa vez ouvi que o que importa em qualquer frase é o que vem após o “mas”) todo mês eles lançam um arquivo novo com uma tabela atualizada.

Até aí tudo indo bem, mas a tabela (um arquivo zip) vem dentro de outro arquivo compactado (um executável). Só que o executável não roda em Windows 64 bits… nem usando o modo de compatibilidade!

Ok, você para e pensa: hummm, meu netbook tem Windows 7 32 bits, nele vai funcionar… Não, não roda.

Ah, o que eu faria se não fosse o meu Ubuntu?

Pois é, e ainda tem gente que não acredita em software livre, né Caixa???

PS: Se você está com o mesmo problema é simples resolver: tendo o Ubuntu instalado, simplesmente clique no arquivo com o botão direito e mande usar o descompactador. Nem sabe o que é o Ubuntu? Bem, você pode baixar o live cd/usb (não instala nada no seu micro) e usar para fazer isto. Ok, é algo radical, mas funciona (e é de graça)!

Por que tudo é mais caro no Brasil?

Devo dizer que nunca concordei muito com a ideia de que as coisas são mais caras no Brasil simplesmente por causa dos impostos. Claro que os nossos impostos são elevados demais, principalmente quando pensamos na qualidade dos serviços que recebemos em troca…

Se você parar para pensar bem, você paga IR, IPI, ICMS e outros impostos (que possuem destinação a mais variada possível), IPVA e CIDE Combustíveis (que deveriam ser utilizados, pelo menos em grande parte, na manutenção das estradas) e se quiser andar em uma boa estrada em situação razoável tem que pagar pedágio (depois de andar nas estradas da desconhecida Carolina do Norte, sem pagar pedágio, tive a prova de como boa parte das nossas estradas privatizadas é um lixo).

O mesmo acontece com várias outras coisas, mas o meu grande exemplo eu deixo para um post específico (estou tentando fazer um post por dia…). Por falar nisto, quando estava me preparando para escrever o de hoje, me deparei com a seguinte notícia: Entenda por que os carros são mais caros no Brasil.

Pois é, aquilo que a mídia nunca fala, que somos explorados pelos industriais e comerciantes, veio à tona! Até mudei o tema de hoje.

Não existe guaraná grátis!

Você já deve ter ouvido a expressão “não existe almoço grátis!”. Pois bem, isto também se aplica ao guaraná.

???

Você já viu promoções como esta?

Rótulo do Guaraná Antarctica: 2 litros + 250 m grátis

Pois é, se um produto tem com algo grátis, se espera que ele sem este algo (fora da promoção), custe o mesmo preço. Ingenuidade? Pode até ser, mas normalmente isto funciona por o lojista apenas colocar aquele “da promoção”, fazendo com que o consumidor não tenha como comparar e descobrir se realmente está ganhando algo de graça ou não.

Mas não foi isto que aconteceu em certo supermercado. O preço da esquerda é o do guaraná de 2 litros, o da direita é o do “guaraná de 2 litros com 250 ml de graça”…

Não que a Antarctica tenha culpa,  mas o supermercado é muito cara de pau!

É jogo produzir tudo na China?

Pense bem, o que você compra hoje que não é feito na China?

Eu praticamente não acreditei quando vi que o meu celular tem um “Made in Finland”. Mas mesmo assim, ele certamente usa diversos componentes fabricados na China (como praticamente todo e qualquer eletrônico que você comprar em qualquer parte do planeta).

Mas como a China começou a crescer muito, passou-se a diversificar a produção, usando-se as plataformas de exportação dos “China´s likes”. Por exemplo, nos EUA você compra roupa feita na China, mas também no Camboja, nas Filipinas, na Tailândia…

E não são  só roupas, manufaturados “commodities” em geral passaram a ser feitos lá.

Ahhh você deve estar pensando, mais um chato que vai dizer que isto tira empregos daqui (o que é verdade)…

Não, dê uma olhada na foto abaixo…

Retailers Respond to Upcoming HDD Shortage by Limiting Purchases & Hiking Prices

Ahhh, é um ecochato! Vai falar do aquecimento global…

Não, leia só esta parte da reportagem da foto acima…

Considering Western Digital is currently the largest hard drive manufacturer in the world and nearly 60% of their production volume comes from Thailand, channel shipments were bound to suffer.   Even if these plants could get up and running again the infrastructure in Thailand needed to continue production –both in human and materiel terms- has been devastated.

Não entendeu? Simples, a Western Digital, maior fabricante de HDs (aquela peça que armazena as informações dentro do seu computador) do mundo, concentrou cerca de 60% de toda sua produção na Tailândia… sim, aquela que ficou com uma boa parte embaixo d´água.

Na hora que pensaram em concentrar tanto a produção lá, devem ter analisado só o custo imediato. Mas ninguém pensou no risco de concentrar tanto a produção em um país só…

E aí, é jogo produzir tudo na China?

PS: Será que eles nunca ouviram falar nas monções?

Pensando fora do copo

Digamos que cabe a você verificar se uma empresa errou, negociar uma solução para a questão e, se mesmo errada ela não quiser fechar um acordo, entrar com uma ação na Justiça.

Se você for um advogado, normalmente isto se resolve de uma forma “simples”: você coleta as provas, mostra que tem um caso sólido e a negociação se dá sobre o valor a ser pago, do qual – provavelmente – você receberá uma parte. O “simples” decorre dos acordos serem raros…por isto muita gente nem negocia, entra direto com uma ação e pronto.

Se você for do Ministério Público do Trabalho, não recebe nenhum percentual, o “acordo” se chama TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) e, além de pagar uma indenização, a empresa se compromete a não fazer mais o que você acredita que esteja errado. Por mais incrível que possa parecer, deve ser até mais fácil se firmar um TAC do que um acordo.

Mas será que tem que ser sempre assim? Será que você não é criativo, não pode pensar “fora da caixa” como sempre dizem os engenheiros e afins?

Agora, digamos que você está no almoço e vê isto:

Embalagem do Guaravita

No quadrado em azul…

Trabalhador, você tem direitos. Na verdadeira cooperativa não há patrão. Se tiver, é fraude. Comunique ao Ministério Público do Trabalho: 0800…

O que você pensa? Que a empresa é gente boa? Que o dono dela é maluco? Ou que é um advogado frustrado: se alguns fazem citações de salmos, por que ele não pode falar dos direitos dos trabalhadores?

Pois é, na hora eu pensei que alguém no MPT tinha pensado fora da caixa, ou, no caso, fora do copo. Bingo!

Confirmação: Notícia no site da ANTP

Depois do curtiu, calotou

O Facebook, ahhh, o Facebook. Se no início ele era uma novidade com alguns avanços (os quais eu nunca entendi muito bem) em relação ao Orkut, já parecia que ele tinha virado uma rede social como outra qualquer.

Bem, a grande questão das redes sociais é o uso que se dá a elas. O Orkut virou aquele bate papo de aborrecente que não sabe nem iskrever, o que reduziu o seu valor. O Facebook, que começou como uma rede de universitários americanos (um diferencial), ganhou o mundo e fez um bom sucesso com os jogos sociais (quem nunca jogou FarmVille ou MafiaWars que se pronuncie), tendia a ficar algo sem grande utilidade.

Até que alguém que queria ter uma boa desculpa para ficar o dia inteiro lá mais antenado com a tecnologia percebeu que se o Facebook é ótimo para achar amigos de faculdade, bom para encontrar pessoas solteiras (dizem as más línguas), descobrir o gosto do seu amigo oculto e pesquisar a vida de candidatos a emprego, também deveria prestar para achar devedores.

E assim em breve surgirá o botão “calotou”!

Particularmente, parabéns para quem teve a ideia. Quanto menos caloteiros no mundo, menor tendem a ser os juros (e maior os lucros do banco). Mas sugiro que o Poder Judiciário abra logo uma filial no Facebook, pois o que vai ter de processo por dano moral…

Na mídia: Facebook ajuda a achar devedores